segunda-feira, julho 17, 2017

domingo, julho 16, 2017

Desconstruindo Amélia(s) Uma Nova Mulher

Desconstruindo Amélia

Já é tarde, tudo está certo
Cada coisa posta em seu lugar
Filho dorme ela arruma o uniforme
Tudo pronto pra quando despertar
O ensejo a fez tão prendada
Ela foi educada pra cuidar e servir
De costume esquecia-se dela
Sempre a última a sair...

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também.

A despeito de tanto mestrado
Ganha menos que o namorado
E não entende porque
Tem talento de equilibrista
Ela é muita se você quer saber
Hoje aos 30 é melhor que aos 18
Nem Balzac poderia prever
Depois do lar, do trabalho e dos filhos
Ainda vai pra nigth ferver.

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também
Uuh!

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também.

Essa música soa como uma canção de protesto contra uma imagem estereotipada da mulher - amélia que acompanhou a nós mulheres durante grande parte do século 20, quando a sociedade machista, patriarcalista, misógina e androcêntria, através de toda forma de comunicação como foi, nesse caso, a mensagem passada pela música popular "Saudades da Amélia", a qual, insinuava com o maior descaramento e de forma taxativa que não deveriamos ter outro sentido na vida a não ser conservar o status de mulher casada, obediente ao marido e disposta a manter o casamento a qualquer custo. 
Para tanto, a esposa perfeita deveria ser o exemplo máximo de dedicação ao marido e, pouco se importar com o que isso poderia lhe advir de sofrimento, perda de identidade social além do enfraquecimento do seu ego. Tudo em razão da falta de amor próprio, característica primordial de todas as esposas amélias - mulher de verdade cujo perfil traçado era de terem  as carateríticas "femininas"  generalizadas a todas as mulheres.
E assim,  os homens davam a entender serem os seguintes traços de personalidade essenciais e necessárias à mulher casada como ser submissa, desprovida de  vontade própria, obediente e dependentes totalmente do marido. Enquanto na década de 40, esse era o modelo perfeito de mulher, ao ponto da tal da Amélia ter feito um sucesso estrondoso por décadas e décadas seguidas, as feministas embolaram o meio de campo para a partir de meados 75 já  estarem com a bola toda, driblando o adversário, escanteando dona Amélia pro banco de reserva,  colocando na linha de frente uma xará, pra enfim, bater bater penalti e fazer o gol da virada do século na voz firme e destemida da compositora e cantora Pitty, da música e letra acima que revela  a nova mulher do século 21.

quinta-feira, julho 06, 2017

06-07-2017 Lançamento de livro sobre mulheres migrantes em João Pessoa - PB



Para comemorar os 10 anos de residência e resistência do Café Flor de Linz, na cidade de Linz, na Áustria, a dona da cafeteria decide escrever um livro sobre os momentos mais marcantes vivenciados lá. Histórias desnudas da experiência de se viver sob o manto ou entre a cerca da migração. Em cada capítulo há uma protagonista, uma mulher migrante brasileira chamada, carinhosamente, de alguma flor. São histórias recheadas de saudades, de sensação de pertencimento e exclusão, de resiliência, deconstruções e, sobretudo, de sonhos e de amores. Ao Café Flor de Linz chegam, diariamente, malas abarrotadas de lembranças, carregadas de esperanças e cheinhas de desejo de que tudo dê certo. Migrar! Esse verbo é transitivo e de ligação. Mas até que porto vale a pena prosseguir viagem? Às vezes há de se atravessar um oceano para encontrar o que se procura. Só indo para querer voltar. Só indo para ter a certeza de por lá querer ficar. Só indo para querer seguir a velejar, neste mar de flores migratórias apreciáveis, comestíveis e alucinógenas! Só indo, porque o que flor, será! As histórias são baseadas em fatos reais vivenciados pela autora ou por ela fantasiados a partir de sua experiência como mulher negra, migrante e mãe.