quarta-feira, julho 26, 2017

Memória Histórica das Mulheres - Dia Nacional de Tereza Benguela



Uma mulher que tornou-se símbolo de liderança, força e luta pela liberdade. Apesar de sua história ter sido pouco divulgada durante um longo período, hoje seu legado é cada vez mais reconhecido. Tereza de Benguela é um ícone da resistência negra no Brasil Colonial. Sua trajetória remonta ao século XVIII, quando Vila Bela da Santíssima Trindade era a primeira capital de Mato Grosso.

Rainha Tereza”, como ficou conhecida em seu tempo, viveu nesta região do Vale do Guaporé. Após a morte do marido, passou a liderar a comunidade, resistindo bravamente à escravidão por mais de 20 anos. Tereza comandou a estrutura política, econômica e administrativa da comunidade, enfrentando diversas batidas da Coroa Portuguesa. Teresa de Benguela sobreviveu até meados da década de 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças do então governador da capitania.

A história de Tereza de Benguela demorou a ganhar projeção. No entanto, passados quase 250 anos, o reconhecimento começa a aparecer. Uma lei aprovada em 2014 institui 25 de julho como o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra. Motivo de orgulho para os habitantes de toda a região e porque não, de todo o País.

Texto orginalmente publicado no globo.com -http://gshow.globo.com/TV-Centro-America/E-Bem-MT/noticia/2015/03/conheca-historia-de-tereza-de-benguela-um-heroina-negra.html

segunda-feira, julho 17, 2017

domingo, julho 16, 2017

Desconstruindo Amélia(s) Uma Nova Mulher

Desconstruindo Amélia

Já é tarde, tudo está certo
Cada coisa posta em seu lugar
Filho dorme ela arruma o uniforme
Tudo pronto pra quando despertar
O ensejo a fez tão prendada
Ela foi educada pra cuidar e servir
De costume esquecia-se dela
Sempre a última a sair...

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também.

A despeito de tanto mestrado
Ganha menos que o namorado
E não entende porque
Tem talento de equilibrista
Ela é muita se você quer saber
Hoje aos 30 é melhor que aos 18
Nem Balzac poderia prever
Depois do lar, do trabalho e dos filhos
Ainda vai pra nigth ferver.

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também
Uuh!

Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar
Uooh!
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Uooh!
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também.

Essa música soa como uma canção de protesto contra uma imagem estereotipada da mulher - amélia que acompanhou a nós mulheres durante grande parte do século 20, quando a sociedade machista, patriarcalista, misógina e androcêntria, através de toda forma de comunicação como foi, nesse caso, a mensagem passada pela música popular "Saudades da Amélia", a qual, insinuava com o maior descaramento e de forma taxativa que não deveriamos ter outro sentido na vida a não ser conservar o status de mulher casada, obediente ao marido e disposta a manter o casamento a qualquer custo. 
Para tanto, a esposa perfeita deveria ser o exemplo máximo de dedicação ao marido e, pouco se importar com o que isso poderia lhe advir de sofrimento, perda de identidade social além do enfraquecimento do seu ego. Tudo em razão da falta de amor próprio, característica primordial de todas as esposas amélias - mulher de verdade cujo perfil traçado era de terem  as carateríticas "femininas"  generalizadas a todas as mulheres.
E assim,  os homens davam a entender serem os seguintes traços de personalidade essenciais e necessárias à mulher casada como ser submissa, desprovida de  vontade própria, obediente e dependentes totalmente do marido. Enquanto na década de 40, esse era o modelo perfeito de mulher, ao ponto da tal da Amélia ter feito um sucesso estrondoso por décadas e décadas seguidas, as feministas embolaram o meio de campo para a partir de meados 75 já  estarem com a bola toda, driblando o adversário, escanteando dona Amélia pro banco de reserva,  colocando na linha de frente uma xará, pra enfim, bater bater penalti e fazer o gol da virada do século na voz firme e destemida da compositora e cantora Pitty, da música e letra acima que revela  a nova mulher do século 21.

quinta-feira, julho 06, 2017

06-07-2017 Lançamento de livro sobre mulheres migrantes em João Pessoa - PB



Para comemorar os 10 anos de residência e resistência do Café Flor de Linz, na cidade de Linz, na Áustria, a dona da cafeteria decide escrever um livro sobre os momentos mais marcantes vivenciados lá. Histórias desnudas da experiência de se viver sob o manto ou entre a cerca da migração. Em cada capítulo há uma protagonista, uma mulher migrante brasileira chamada, carinhosamente, de alguma flor. São histórias recheadas de saudades, de sensação de pertencimento e exclusão, de resiliência, deconstruções e, sobretudo, de sonhos e de amores. Ao Café Flor de Linz chegam, diariamente, malas abarrotadas de lembranças, carregadas de esperanças e cheinhas de desejo de que tudo dê certo. Migrar! Esse verbo é transitivo e de ligação. Mas até que porto vale a pena prosseguir viagem? Às vezes há de se atravessar um oceano para encontrar o que se procura. Só indo para querer voltar. Só indo para ter a certeza de por lá querer ficar. Só indo para querer seguir a velejar, neste mar de flores migratórias apreciáveis, comestíveis e alucinógenas! Só indo, porque o que flor, será! As histórias são baseadas em fatos reais vivenciados pela autora ou por ela fantasiados a partir de sua experiência como mulher negra, migrante e mãe.

quarta-feira, junho 28, 2017

Feminismo VóVlogueira com Maria Aurea Santa Cruz - Feminismo, Assédio e Violência Contra a Mulher

O primeiro vídeo da avó mais cool do Brasil sai hoje as 20h! Nesse canal a gente vai falar sobre assuntos tabus de uma forma descontraída. O nosso objetivo é trazer essas discussões pro nosso dia a dia. Nesse primeiro vídeo vamos falar sobre Feminismo, Assédio e Violência Contra a Mulher!
 Produção: Carolina Ferrari e Carol Lemos

domingo, junho 25, 2017

Crônica de Lima Barreto Sobre Feminicídio - Publicada em 1915

NÃO AS MATEM

Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même, sobre a mulher.
O caso não é único. Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou sobre a ex-noiva, lá pelas bandas do Estácio, matando-se em seguida. A moça com a bala na espinha, veio morrer, dias após, entre sofrimentos atrozes.
Um outro, também, pelo carnaval, ali pelas bandas do ex-futuro Hotel Monumental, que substituiu com montões de pedras o vetusto Convento da Ajuda, alvejou a sua ex-noiva e matou-a.
Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros.
Eles se julgam com o direito de impor o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que é de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão.
O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo.
Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas.
De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de supor que, quem quer casar, deseje que a sua futura mulher venha para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa-vontade, sem coação de espécie alguma, com ardor até, com ânsia e grandes desejos; como e então que se castigam as moças que confessam não sentir mais pelos namorados amor ou coisa equivalente?
Todas as considerações que se possam fazer, tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição, não devem ser desprezadas.
Esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa, que enche de indignação.
O esquecimento de que elas são, como todos nós, sujeitas, a influências várias que fazem flutuar as suas inclinações, as suas amizades, os seus gostos, os seus amores, é coisa tão estúpida, que, só entre selvagens deve ter existido.
Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a inanidade de generalizar a eternidade do amor.
Pode existir, existe, mas, excepcionalmente; e exigi-la nas leis ou a cano de revólver, é um absurdo tão grande como querer impedir que o sol varie a hora do seu nascimento.
Deixem as mulheres amar à vontade.
Não as matem, pelo amor de Deus!
Vida urbana, 27-1-1905
Autor será o homenageado da FLIP- Festa Literária de Paraty, nesse ano de 2017

quarta-feira, junho 14, 2017

ANÁLIA FRANCO - A EDUCADORA E SEU TEMPO




* Anália Franco é escolhida para Patrona da Feira do Livro de Resende.
- A professora e escritora Eliane de Christo lançou livro sobre a educadora, que nasceu em Resende em 1853.

A FLIR (Feira do Livro de Resende), que terá sua terceira edição em junho de 2017, anunciou o nome esperado para a patrona do evento.
Anália Franco, conhecida pelo seu trabalho na educação brasileira, será a grande homenageada da FLIR.
Nascida em 1856, na cidade de Resende, Rio de Janeiro, Anália Franco Bastos, mais conhecida como Anália Franco, após passar em um concurso da Câmara de SP, diploma-se como Normalista, aos 16 anos de idade, exercendo o cargo de professora primária. Já se notava como excelente literata, jornalista e poetisa, entretanto após a Lei do Ventre Livre, sua verdadeira vocação se exteriorizou.
Trocou seu cargo na Capital de São Paulo por outro no interior, a fim de socorrer criancinhas necessitadas. Anália aluga uma fazenda e inaugura a primeira “Casa Maternal”, atendendo a todas as crianças que lhe batiam à porta, levadas por parentes ou apanhadas nas moitas e desvios dos caminhos. A fazendeira, vendo que a sua casa, se transformara num albergue de “negrinhos”, resolveu acabar com aquele “escândalo” em sua fazenda.
Sem muitos recursos, Anália aluga uma casa na cidade junto ao seu grupo, que ela chamava em seus escritos de “meus alunos sem mães”, anuncia que, ao lado da escola pública, havia um pequeno “abrigo” para as crianças desamparadas, o que enche a cidade de curiosos. Moça e magra, modesta e altiva, aquela impressionante figura de mulher, que mendigava para filhos de escravas, tornou- se um escândalo. Mas rugiu a seu favor um grupo de abolicionistas e republicanos, contra o grande grupo de católicos, escravocratas e monarquistas.
Em SP, entra para o grupo abolicionista e republicano, porém sua missão não era a política e sim, com as crianças desamparadas, levando-a a fundar uma revista própria – “Álbum das Meninas”, em abril de 1898. O advento dessa nova era encontrou Anália com dois grandes colégios gratuitos para meninas e meninos. Logo se une à vinte senhoras amigas, fundando o instituto educacional “Associação Feminina Beneficente e Instrutiva”.
A partir daí, criou muitas “Escolas Maternais” e “Escolas Elementares”, além do “Liceu Feminino”, com a finalidade de instruir e preparar professoras para suas escolas. Em 1903, passou a publicar “A Voz Maternal”, revista mensal com a apreciável tiragem de 6 mil exemplares, impressos em oficinas próprias.
Era romancista, escritora, teatróloga e poetisa. Escreveu uma infinidade de livretos para a educação das crianças e para escolas, os quais são dignos de serem adotados nas escolas públicas. Escreveu três romances: “A Égide Materna”, “A Filha do Artista”, e “A Filha Adotiva”, além de peças de teatro. Era espírita fervorosa, revelando sempre inusitado interesse pelas coisas atinentes à Doutrina Espírita.
Em 1911 conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, a “Chácara Paraíso”. Onde fundou a “Colônia Regeneradora D. Romualdo”, onde ficavam os garotos aptos para a lavoura, a horticultura e outras atividades agropastoris, recolhendo ainda moças desviadas, conseguindo assim regenerar centenas de mulheres. Seu desencarne foi em 1919, quando ia ao Rio de Janeiro para fundar mais uma instituição, que posteriormente se concretizada por seu esposo, que ali fundou o “Asilo Anália Franco”.
A sementeira de Anália Franco consistiu em 1971, 2 albergues, 1 colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, 1 banda musical feminina, 1 orquestra, 1 grupo dramático, além de oficinas para manufatura de chapéus, flores artificiais, etc., em 24 cidades do Interior e da Capital.
ANÁLIA FRANCO NA FLIR



Na FLIR, Anália Franco será homenageada através de uma exposição na entrada do evento contando sua trajetória de vida e mostrando através de fotografias como era sua vida naquela época. Também estará a venda o livro Anália Franco a educadora e seu tempo, onde a Editora Comenius tem o prazer de oferecer aos leitores duas visões, duas pesquisas, duas autoras, num só livro, sobre uma só mulher.
As autoras são Eliane de Christo, jornalista e Psicanalista e Samantha Lodi, formada em Comunicação Social e doutora em Educação pela Unicamp. "Para nós, há uma urgência de darmos voz a figuras históricas que estiveram à frente de seu tempo e agiram para transformar o mundo. Num momento em que as pessoas se desiludem da ação, sentem-se impotentes diante de um contexto complexo e de problemas graves que atingem a sociedade, é bom nos inspirarmos em humanistas que se envolveram em grandes projetos.É o caso de Anália Franco.
Numa época em que mulheres não tinham nenhuma participação social no Brasil e ainda pouquíssimas conquistas no mundo - em que a maioria entre nós era analfabeta, sem direito a voto, sem direito ao trabalho remunerado; num contexto em que negros eram considerados “raça inferior”, primeiro escravos e depois, excluídos do projeto político de se fazer a nação brasileira; numa sociedade em que a religião hegemônica era o Catolicismo conservador – essa educadora brasileira atuou fortemente para que crianças e mulheres tivessem acesso à educação, independente de credo, de raça e de classe social. Ela buscou, com seu projeto, uma luta igualitária, de quem acreditava na liberdade e pôs em prática um projeto de resgate da dignidade dos mais excluídos." coloca as autoras.
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O quê: FLIR - Feira do Livro de Resende
Data: junho de 2017
Local: Parque de Exposições de Resende, Resende-RJ
Acesso: Gratuito
Look Mídia| www.lookmidia.com.br 
contato@lookmidia.com.br